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Créditos inadimplidos ou, se preferir, Non-Performing Loans (NPL). Qualquer que seja a opção para designá-lo, esse mercado que prospera no contrafluxo da economia – e que, portanto, cresceu na esteira da pandemia – pode ganhar um novo impulso diante das preocupações generalizadas com o alto endividamento dos brasileiros.

 

O próprio governo está empenhado em desenrolar o programa que batizou de Desenrola, destinado a aliviar o altíssimo endividamento da população, principalmente nas faixas de baixa renda, que chegou a ponto de paralisar o consumo nesse segmento. Não ficou claro, por enquanto, como funcionará o Desenrola, mas tudo indica certa semelhança com o mercado de créditos podres, que inclui o pagamento parcelado dos débitos.

 

O que são Non Performing Loans (NPL)?

 

Non Performing Loans nada mais são do que uma outra forma de designar os créditos de difícil recuperação. Ou seja: a instituição credora assume que é pouco provável que esses créditos se convertam em dinheiro em caixa.

 

Ou seja, o NPL é basicamente um crédito em atraso que, não sendo pago dentro de determinado período, passa a ser considerado um “crédito inadimplido”. Prestações, contas de serviço ou parcelas de um empréstimo não pagas – os chamados “calotes” – representam uma perda para a empresa que ofertou o crédito, que vê seu faturamento afetado pela inadimplência.

 

No caso de uma instituição financeira, esses créditos são registrados como prejuízo após 1 ano de atraso no pagamento. Passam, então, a ser classificados como “créditos não-performados”, o que significa que, como o próprio nome sugere, não tiveram a performance prevista no balanço financeiro dessas instituições, e por isso são rebaixados a prejuízo.

 

Cessão de crédito

 

Para reduzir o impacto dessa perda financeira, as instituições que concedem crédito têm a opção de reunir seus NPLs e negociá-los com empresas especializadas ou investidores que, ao adquirirem essas carteiras de dívidas, passam a assumir também os riscos a elas associados e o direito de cobrá-las. Por meio dessa operação, chamada no mercado de “cessão de crédito”, os bancos conseguem recuperar parte do valor em relação ao total da dívida.

 

Ou seja: se, por um lado, a comercialização desses créditos é uma opção para bancos e empresas passarem adiante dívidas não pagas, por outro lado ela se torna também uma oportunidade para investidores em distressed assets, bem como para empresas especializadas

na compra, gestão e cobrança de dívidas vencidas, que contam com estrutura própria para atuar na recuperação de créditos dados como perdidos pelo credor original.

 

Por que as instituições vendem seus créditos não performados

 

O que é um problema para as instituições credoras pode significar, ao mesmo tempo, uma oportunidade de fazer caixa a partir desses créditos e, assim, reduzir o impacto do prejuízo decorrente da inadimplência.

 

Nos últimos anos, a crise financeira desencadeada pela pandemia resultou em um aumento de calotes e, consequentemente, em alto volume de ‘créditos podres’ acumulados pelas instituições financeiras e por outras empresas, que passaram a intensificar a venda de carteiras de dívidas em atraso.

 

A venda de carteiras de crédito baixadas a prejuízo libera recursos financeiros e humanos e, além de possibilitar a recuperação de perdas, permite levantar capital para, por exemplo, investir em novos projetos, na abertura de filiais ou em novos ciclos de financiamento.

 

Como essas empresas não contam com uma estrutura própria para gestão e cobrança de dívidas, torna-se vantajoso para elas ceder esses créditos, a um valor de mercado, para empresas especializadas, as securitizadoras.

 

As securitizadoras atuam para fechar o ciclo de uma dívida em aberto, dessa forma desonerando as estruturas das empresas credoras, que podem assim focar em seu core business. E, ao mesmo tempo, propiciam ao consumidor a oportunidade de negociar suas pendências com mais flexibilidade e melhores condições do que encontravam em seu banco, podendo, assim, recuperar seu crédito no mercado.

 

Oportunidades do mercado de NPL

 

Como vimos, o cenário atual, marcado pelo aumento significativo de empresas e consumidores que se veem impossibilitados de quitar suas dívidas, aponta para um inevitável aumento das carteiras de crédito em atraso, não apenas de bancos, mas também de varejistas, fintechs e prestadoras de serviços, abrindo espaço para o crescimento do mercado de special situations, em particular no segmento de recuperação de créditos não-performados (NPLs).

 

Encabeçado por securitizadoras e fundos de investimento em direitos creditórios (FDICs), tal mercado encontra-se em plena expansão no Brasil, tanto em relação ao volume de negociações como na diversificação de origens e no número de participantes que passaram a ofertar suas carteiras.

 

Se, por um lado, a falta de liquidez decorrente do alto spread bancário – que no Brasil é um dos mais altos do mundo – leva as empresas a buscarem alternativas aos empréstimos tradicionais, com o objetivo de aliviar seu estresse financeiro, por outro, a venda de suas carteiras inadimplentes oferece uma alternativa de liquidez, ao permitir passar adiante as dívidas que não conseguiram receber de seus clientes, já tidas como perdidas.

 

Nos últimos anos, setores que tradicionalmente não recorriam a esse instrumento passaram a considerá-lo como forma de lidar com dívidas vencidas e de reforçar o caixa para investir em novos projetos. É o caso dos bancos digitais e das redes de varejo.

 

O papel do mercado de NPL na retomada da economia

 

Além de representar uma oportunidade para investidores, o aquecimento do mercado de créditos inadimplidos acaba por beneficiar a economia brasileira como um todo. Do pequeno devedor — que encontra nos fundos de investimento cessionários de carteiras uma flexibilidade maior da que encontrava em seu banco, com isso revigorando seu crédito no mercado — aos grandes conglomerados financeiros, que podem assim desonerar suas estruturas para atuar em seu core business, gerar alguma liquidez com créditos considerados “podres”, passando pelas empresas, que encontram nos fundos “distress” caminhos para viabilizar e aprovar seus planos de recuperação.

 

Ou seja, em um cenário de alto endividamento como o atual, a cessão de carteiras passa a ser fundamental para mitigar os efeitos da inadimplência nas contas e no consumo de capital dos bancos, que, aliás, podem abater do imposto as perdas decorrentes de vendas das carteiras.

 

Todo esse ciclo e amplitude de atuação do mercado de special situations contribuem de forma decisiva para a recondução de empresas e pessoas à normalidade de suas vidas financeiras, possibilitando a elas, ainda, reiniciar novo ciclo de acesso ao crédito, fator preponderante para a retomada da economia.

A MGC Holding

Somos o maior player independente do mercado brasileiro de créditos inadimplidos de consumo e os únicos a atuar em duas frentes de reestruturação da saúde financeira: a de empresas e a de consumidores.

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