O futuro das taxas de juros: o que esperar e como se preparar para 2026

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As taxas de juros continuam sendo um dos principais motores (e freios) da economia brasileira. Elas influenciam desde o custo do crédito até a rentabilidade dos investimentos, passando pelo ritmo de consumo e pela tomada de decisões de empresas e famílias. Não à toa, todos querem saber: o que esperar dos juros em 2026?

À medida que nos aproximamos de 2026, o cenário econômico brasileiro entra em um novo ciclo, marcado por desafios internos, mudanças no ambiente global e um esforço constante para equilibrar inflação, crescimento e previsibilidade. Para o investidor, entender esse movimento é fundamental para ajustar estratégias, proteger o patrimônio e aproveitar oportunidades que surgem em momentos de transição.

Neste artigo, a MGC Holding explica, de forma simples e objetiva, quais fatores devem influenciar as taxas de juros nos próximos meses e anos, o que pode acontecer em 2026 em relação a isso e como é possível se preparar para diferentes cenários econômicos.

Por que o Copom decide mudar ou manter a Selic?

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) quanto a elevar, manter ou reduzir a Selic, a taxa básica de juros, segue uma análise minuciosa das condições econômicas e um conjunto de objetivos. O principal deles é estabilidade de preços, mantendo a inflação dentro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para isso, o Copom avalia uma série de variáveis antes de cada reunião. Entre os pontos mais relevantes estão:

1. Controle da inflação

A Selic é o principal instrumento de combate à inflação.

  • Se a inflação está acima da meta ou pressionada, o Copom tende a elevar a taxa para desacelerar a economia e conter os preços.
  • Se a inflação está controlada ou em desaceleração, há espaço para redução na taxa.

2. Ritmo da atividade econômica

O Banco Central também observa se a economia está crescendo demais ou de menos.


  • Um crescimento muito acelerado pode gerar desequilíbrios e pressionar preços.

  • Uma economia fraca pode exigir estímulos por meio de juros mais baixos.

3. Cenário fiscal e credibilidade do governo

O comportamento das contas públicas influencia a percepção de risco.


  • Déficits altos aumentam incertezas, o que leva o Copom a manter juros altos por mais tempo.

  • Um ambiente fiscal mais equilibrado abre espaço para reduções.

4. Fluxo de capital e câmbio

O Copom monitora como fatores externos afetam o real.


  • Dólar mais alto ou saída de capitais tendem a elevar pressões inflacionárias via câmbio.

  • Quando o cenário global está mais favorável, há mais espaço para cortes na Selic

5. Expectativas do mercado

As projeções de inflação — avaliadas, por exemplo, pelo boletim Focus — são fundamentais.
Se o mercado acredita que a inflação futura ficará acima da meta, o Copom precisa agir para realinhar expectativas e manter equilíbrio.

Cenários possíveis para a taxa Selic em 2026

As sinalizações recentes do Comitê de Política Monetária (Copom) indicam que a taxa básica de juros deve permanecer em um nível elevado por mais tempo do que muitos investidores esperavam. O tom mais rigoroso adotado pelo Banco Central praticamente afastou a possibilidade de cortes no curto prazo e levantou dúvidas quanto ao início do ciclo de afrouxamento já no começo de 2026.

Em contrapartida, essa postura mais conservadora agora pode abrir espaço para um movimento diferente lá na frente: uma redução mais significativa da Selic ao longo de 2026.

Segundo economistas consultados pela imprensa especializada, a partir do início de 2026 o processo de reancoragem das expectativas de inflação deve ganhar força. Isso significa que o mercado tende a projetar uma inflação mais alinhada à meta, trazendo mais previsibilidade para a política monetária.

Com expectativas mais controladas e uma desaceleração econômica mais evidente, o Banco Central teria condições de promover cortes mais consistentes ao longo de 2026, possivelmente levando a Selic para abaixo dos 12,25% atualmente estimados pelo consenso para o fim de 2026.

Alguns especialistas avaliam que a taxa pode até se aproximar de 11% em 2026. Ainda assim, esse patamar continuaria sendo considerado restritivo para a atividade econômica, ou seja, um nível que ainda limita o crescimento, mesmo estando abaixo dos valores praticados em 2024 e 2025.

Em resumo, para 2026 o cenário mais provável é de queda, mas não de juros “baratos”. O Brasil deve continuar operando com juros relativamente elevados, porém em um patamar menos pressionado do que hoje, abrindo novas oportunidades, mas exigindo atenção redobrada dos investidores.

O que isso significa para o investidor?

A expectativa de queda da Selic em 2026, mesmo que para níveis ainda considerados restritivos, abre um leque importante de oportunidades para o investidor brasileiro. Somado a isso, o ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos muda a dinâmica global de investimentos e cria um ambiente mais favorável aos mercados emergentes.

Nos últimos anos, a economia americana agiu como um grande “aspirador de dinheiro”, atraindo capital do mundo inteiro por conta dos juros mais altos em décadas. Com a sequência de cortes recentes, essa força de atração começa a diminuir. O resultado? Parte desse fluxo tende a se redistribuir, criando um cenário mais equilibrado e potencialmente positivo para países como o Brasil.

Para o investidor, isso significa:

1. Momento favorável tanto para renda fixa quanto para renda variável

Com juros ainda altos no curto prazo, a renda fixa segue oferecendo boas oportunidades.
Mas, à medida que a Selic começa a cair, os ativos de renda variável tendem a ganhar força, impulsionados por perspectivas de crescimento e maior entrada de capital estrangeiro.

2. Novas estratégias passam a fazer sentido

A combinação entre cortes nos EUA e possível redução da Selic em 2026 cria espaço para explorar diferentes classes de ativos — desde títulos prefixados e IPCA+ até ações, ETFs e fundos multimercados.

3. Brasil pode receber mais fluxo internacional

Com a diminuição da atratividade do juro americano, parte dos recursos globais deve buscar mercados emergentes. Isso pode fortalecer o câmbio, impulsionar a bolsa e beneficiar setores ligados à economia doméstica.

4. Sinais de cautela em big techs, ouro e criptomoedas

Com menos liquidez concentrada nos Estados Unidos, investidores podem rever alocações em ativos que vinham performando bem justamente no ambiente de juros elevados.
Isso exige atenção redobrada na hora de montar uma carteira equilibrada.

O impacto da desdolarização no cenário global – e para o investidor brasileiro

Um dos movimentos mais discutidos nos últimos anos é o processo de desdolarização, isto é, a tentativa de reduzir a prevalência global do dólar como moeda dominante. Embora ainda seja uma tendência de longo prazo, que se desenrola ao longo de décadas, ela já começa a gerar efeitos perceptíveis no mercado financeiro.

Historicamente, grandes potências econômicas acumulam hegemonia e, com o tempo, também enfrentam sua gradual perda. O dólar ocupou por décadas essa posição central, mas países como China, Índia e o próprio Brasil, por meio dos BRICS, vêm buscando ampliar o uso de moedas alternativas e fortalecer suas próprias estruturas de comércio e financiamento.

A política externa dos Estados Unidos também influencia esse movimento. A adoção de tarifas de importação mais agressivas e tensões comerciais recentes contribuíram para um ambiente em que o dólar mostrou sinais de enfraquecimento — ainda leves, mas significativos.

O que isso significa na prática?

  • Um dólar mais fraco favorece o consumidor brasileiro no curto prazo, ajudando a reduzir pressões de preços em produtos importados e diminuindo custos de viagens e serviços dolarizados.

  • Ao mesmo tempo, o cenário cria uma janela estratégica para diversificação internacional. Mesmo com a volatilidade, a exposição ao dólar segue sendo um pilar importante de proteção patrimonial.

A boa notícia é que, ao contrário do passado, investir em ativos globais se tornou acessível. Não é mais necessário ter grandes quantias para comprar ações, ETFs ou fundos internacionais.

Hoje, com cerca de R$ 50 é possível adquirir um papel americano via corretoras digitais ou ETFs listados na B3. Essa democratização representa uma verdadeira revolução financeira, permitindo que mais brasileiros protejam seu patrimônio e participem de economias mais dinâmicas.

A MGC Holding

Somos o maior player independente do mercado brasileiro de créditos inadimplidos de consumo e os únicos a atuar em duas frentes de reestruturação da saúde financeira: a de empresas e a de consumidores.